Brasil é o 2º país com menor taxa de formação em cursos técnicos

Brasil é o 2º país com menor taxa de formação em cursos técnicos

O Brasil é o segundo país com a pior taxa de formação técnica e profissional entre os formandos do ensino médio, ficando atrás apenas do Canadá entre os 37 países membros e parceiros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). 

A média entre os países da Organização é de 38%, enquanto o Brasil apresenta somente 9%, atrás até mesmo de outros países da América Latina como o México, o Chile e a Costa Rica. Em países como Áustria, Suíça e Reino Unido ultrapassa os 60%.

Márcio Takemura é coordenador de relacionamento com o mercado do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) no Pará e acredita que os números refletem o pouco entendimento da população em geral sobre as portas que um curso técnico pode abrir.

“A falta de conhecimento sobre a abrangência da ocupação de um profissional técnico muitas das vezes leva o jovem a optar por um início de carreira escolhendo um curso de graduação. No entanto, cabe ressaltar que a absorção de um profissional de formação técnica é maior. Por exemplo, em uma UTI com 8 leitos no mínimo deve ter um enfermeiro para quatro técnicos”, afirma.

Ele lembra que apesar da rotina, considerada cansativa por muitos, é importante observar qual o foco profissional de cada pessoa. Se o objetivo for ingressar rapidamente no mercado, o curso técnico é a melhor opção, pois, segundo Márcio, irá possibilitar o início da carreira profissional logo após a conclusão da formação técnica e do nível médio.

“O que não impede a continuidade da formação em outros níveis. Além destes atributos, o aluno consegue imergir mais precocemente no campo de atuação, através de inúmeras atividades teórico-práticas realizadas ao longo de toda a formação técnica, tais como: visitas técnicas, simulações, projetos integradores, estágios, pesquisas, entrevistas”, avalia.

Em 2020, 82 alunos foram formados em cursos técnicos presenciais pelo Senac, e, até agosto de 2021, o curso já conta com 67 alunos presenciais matriculados no Pará. E ainda há matrículas abertas para cursos técnicos como técnico em estética, técnico em segurança do trabalho, recursos humanos, farmácia e finanças, disponíveis em Belém, Castanhal e Santarém.

Takemura inclusive é formado em um curso técnico, o de processamento de dados, pela antiga Escola Técnica Federal do Pará, hoje Instituto Federal do Pará. A experiência proporcionou diversas oportunidades, inclusive a entrada no Exército como sargento, onde prestou serviços por sete anos. 

“Concluí no ano de 2000 o curso e já estava empregado em uma escola de informática. Logo em seguida recebi uma proposta melhor, em uma empresa do varejo no setor, como encarregado de informática. Toda minha carreira iniciou graças ao curso técnico. Sempre falo: todo jovem deveria fazer um”, afirma. 

Adilson Cruz acredita que o mercado no Pará está muito inchado, especialmente na área de graduação dele, administração. O curso técnico no currículo o levou para outros ares profissionais.

“Eu consegui emprego na área técnica, uma área que me sinto à vontade, como técnico hospitalar. Acho bem importante tanto jovem ter esse curso técnico, para ter mais opções para recorrer. É bom analisar qual curso dá mais mercado”, indica ele.

Outro dado que chama atenção é que, enquanto nos outros países, os homens são maioria entre os concluintes do ensino médio com o profissionalizante; no Brasil, as mulheres representam 56%. O índice é bem próximo ao do ensino superior, onde elas são 54%.

Simone Souza era mãe quando terminou o ensino médio e acredita que o curso técnico foi a ajudou a se posicionar com rapidez no mercado de trabalho. Ela se formou em segurança do trabalho.

“Foi através do curso técnico que alcancei meus objetivos. O mercado de trabalho é muito exigente. Há muitas vagas, mas poucos profissionais. Fazer essa escolha, que lhe prepara profissional, é a melhor opção. A duração dele é bem menor. Quem não pôde no passado, por algum motivo, incentivo buscar cursos na área que gostaria de seguir”, afirma.

redacao_maloca maloca

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